A verdadeira disrupção da IA acontece quando ela ultrapassa as fronteiras das soluções digitais corporativas e impacta diretamente a vida das pessoas em escala global.
No mais recente episódio do Genius Talks, o nosso host, Alcebíades Araújo, AI Specialist na Squadra, recebeu Hugo Marques, SMB & Partner Leader & Board Member na Microsoft Elevate, Romulo Cioffi, Chief AI and Innovation na Squadra e Douglas Ramalho, Software Engineer na Squadra, para uma conversa sobre o que faz um projeto de IA prosperar nos negócios e na sociedade, ultrapassando as fronteiras do mercado para gerar impacto na vida das pessoas.

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Por que 80% das PoCs morrem no caminho? ↩
De acordo com um relatório da McKinsey divulgado no final de 2025, cerca de 80% das iniciativas de IA ainda ficam estagnadas na fase de prova de conceito (PoC) e não conseguem cruzar a ponte em direção à escala.
Para Hugo Marques, a explicação para esse abismo está na divisão incorreta do peso dado aos elementos de um projeto de IA:
"Se analisarmos os projetos que realmente geram impacto, o sucesso se divide em: apenas 20% está relacionado ao modelo de linguagem (LLM) escolhido; 40% corresponde à governança, integração e qualidade dos dados; e os outros 40% do sucesso depende puramente do processo, o que envolve segurança, monitoramento e treinamento do time." - Hugo Marques, SMB & Partner Leader & Board Member na Microsoft Elevate.
Romulo Cioffi complementa que o design integral, abordagem metodológica da Squadra acionável que transforma problemas reais de negócios em contextos estruturados para as LLMs, é o que garante a integração de sucesso entre LLM, dados e processo.
Quando o foco é no problema, mais valor é gerado ↩
Para ilustrar como esse fluxo se traduz na prática, Hugo compartilhou uma experiência pessoal vivida em uma escola pública dos Estados Unidos, onde seus filhos estudam.
A diretora da instituição precisava consertar as impressoras 3D que equipavam o laboratório da escola. Por trás disso, existia um problema crônico, comum em várias outras escolas públicas do país: ela gastava, em média, 35 horas semanais tentando estruturar orçamentos, dados jurídicos e documentações complexas para solicitar verbas de instituições privadas (grants) que ajudam a escola em casos como esse.
Após entender a origem do problema, que era um processo vital da escola, o executivo desenhou uma arquitetura de múltiplos agentes inteligentes focados em cada uma das etapas do processo de grants, coordenados por um orquestrador central e mantidos por curadoria humana ativa.
A ferramenta automatizou um processo quebrado e, em vez de horas, a diretora agora leva minutos para estruturar a documentação necessária para o processo de grants. O sucesso foi tamanho que a solução agora está dentro do Microsoft Marketplace para ajudar outras escolas públicas.
Qual a diferença entre a IA e as outras ondas tecnológicas? ↩
Diferente das ondas tecnológicas do passado (como o surgimento do celular ou da internet banda larga), que acentuam os abismos de desenvolvimento entre diferentes regiões do mundo, a IA é intrinsecamente plana e fluida. Ela distribui a riqueza intelectual e inclui mais pessoas no jogo da inovação.
Hugo Marques trouxe um exemplo impactante dessa realidade: a sua ONG, que atua no Quênia, em Nairóbi, disponibiliza para jovens de 15 a 17 anos de idade ferramentas mais avançadas do que aquelas disponíveis em grandes universidades de ponta dos EUA.
A IA não veio para eliminar posições, mas para reposicionar pessoas e empresas. É o fim das narrativas puramente ameaçadoras e o início de uma era focada no conhecimento profundo do problema, no processo da solução, no papel da tecnologia e, acima de tudo, no impacto real nas comunidades.
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